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blogue do jardim das jacas - luís altério

- Eu é mais d'eus -

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blogue do jardim das jacas - luís altério

25
Set20

...

[284].

- Estou aqui a urdir com este livro do Octavio Paz. Diz ele que "uma pedra é igual a outra pedra e um saca-rolhas é igual a outro saca-rolhas”.

- Então?

- É o óbvio. Mas a igualdade da pedra é involuntária. Já no saca-rolhas é deliberada...

- Claro!

-  .... mas, atenção, se pensarmos um pouco, é legítimo dizer que existem duas pedras iguais? Onde? Nunca vi! Já os saca-rolhas, se forem feitos com muito cuidado, sem defeitos e sem farpas nos bordos e tal, podem ser iguais.

- Certo, mas o poeta mexicano foi por outro caminho de raciocínio. Quis debater a questão da negatividade manufacturada, meu chapa! Temos que nos nutrir dessa lucidez sem cairmos na Academia-da-Elite nem na Rua-dos-sem-teto

24
Set20

...

[283].

 

O velho saiu repentinamente pela porta fora. Isso vi. E também que saiu furiosamente para esquivar-se dos raspanetes da mulher, que ainda gritava lá de dentro, “és um inútil!” Vi, vi. Lá isso, vi. Pegara no machado grande que estava de pé encostado na parede, descera o alpendre e logo o meu cão latira ao encontro dele (eram grandes amigos, verdade!), o cão lançara a língua e a arfar erguera-se com as patas da frente a saudar o velho amigo, as orelhas arrebitadas para cima, atento. Até dava dó do vellho, tão ensimesmado, ignorando o meu Boby a latir, enfim. Curiosamente, lembrava o Ivan Kuzmitch, do romance de Ievtuchenko. Então, em frente à pilha de lenha em estado bruto, apanhara um toro e o posicionara verticalmente em cima de um velho toco que servia de patamar para cortar a lenha. Lançara o machado para cima e o arrematara com força e cortara, como faca que corta manteiga.... A velha dele no alpendre insistia, “ó meu inútil, não vês que temos lenha que chegue, não vês?” Foi então que chamei o meu Boby. Repeti mais uma vez, e ele sem se arredar do seu velho amigo, a arfar. Até que gritei, e ele obedeceu-me, e fomos à vidinha, que é mesmo assim.

 

13
Set20

...

[282].

- Como vai a tua indignação, pá?

 

- O que mais se me apresenta como palpável, para além da deselegância do estorvo, é o calor quase calcinante do sol. E a seguir a lua, no seu orvalho refrescante para suavizar esse pessimismo... tudo isto, para afirmar que se vai indo, mas indo mal.

 

- Homessa! Para pessimista, onde vais buscar essas elegâncias?

13
Set20

...

[281].

 

Quem coloca os problemas ao mundo é a originalidade de cada um! E para resolver esses mesmos problemas só a originalidade de cada um...colocando a cachola para desemerdar (sim, escrevi desemerdar).

13
Set20

...

[280].

... já é tarde, já! Mas fazer o quê? É ir-me deixando. É o que eu quero. Nada me prende aqui, e agora que me mostras, vejo a merda que andei a inalar: fiquei agarrado a esse éter com clorofórmio e gasolina! ... Estas náuseas, meu Deus! Os vómitos, as articulações doem prá porra! Mas ir em frente até ao fim, eu faço a escolha, como tu fazes a tua de ir embora deste inferno do Rio para São Paulo. Mas cuidado, lá chamam-lhe o lança-perfume! Mas deixa-me ir até ao fim, eu quero, se és meu amigo, não atires pela sanita esse frasco de cheirinho da loló! ... Isso, obrigado amigo! Não esqueço essa tua bondade, sei que me compreendes! E tenta convencer a minha namorada a deixar isto! Ela a ti dá-te ouvidos, não te preocupes, sempre soube de vocês! E não digas nada de mim ... Diz só que desapareci... Agora vai, vai... Nada de cumprimentos, vai. E abraça os teus país lá em São Paulo, enche-lhes de beijos! E cura-te, e vive longe deste mundo sujo. Prometes? Isso, agora vai ...Vai, pá!

12
Set20

...

[279].

 
- Sabes, escreve-se muito. Bons poetas e tal, mas falta descobrir quem transpôs o verso para o lado jamais alcançado.
 
- Seja quem for, lá estará nos cafundós dos quartos, ou cafés, a tentar... eu acredito!
 
- Eu também!... Algures, alguém está a transpor o verso para o lado jamais alcançado.
12
Set20

...

[278].

 

A procissão das formigas, tal como a corrente de um rio, poderia ser a Razão, mas não é, precisamente porque a procissão só é tal como se processa.  Ou seja, as formigas limitam-se a ser o que se espera delas, prosseguindo, geração em geração, na ‘procissão das formigas’. E nós temos a liberdade de escolher a nossa procissão, ou seja, somos responsáveis pela escolha do tipo de procissão que adoptarmos ... E a que propósito, perguntais com impaciência? A propósito de tudo, caros leitores.

 

24
Ago20

...

[277].

- A Esquerda, como Partido e suas extensões, jamais poderia aceitar ditaduras como a do Maduro, por exemplo, mas lá existe para estar em cima do muro, desgastando as nossas esperanças e alimentando a permanência do inadmissível... E fortalecendo, inclusive, a Direita de manter o Imperialismo implementado na América Latina, para sugar as nossas riquezas, porque vai perdendo a sua credibilidade em não ser firme contra todas as DITADURAS!

- Tal como a Religião! ... Já percebeste que as Religiões tradicionais estão sempre ao lado da Direita conservadora e reaccionária? ... Quando os ensinamentos de Jesus são tudo menos conservadores e reaccionários?

- Como não ser Pessimista? ... Tudo, na América Latina, carbura a Valores Trocados.

 

24
Ago20

...

[276].

- Precisamos de um pensamento original para a América Latina! Isto que se passa no Brasil, particularmente, não tem explicação cabal! O que nos está a acontecer à luz dos patamares da racionalidade ocidental não chega para explicar. As nossas ferramentas filosóficas, antropológicas e sociais não chegam para explicar, precisamente porque não estão desenvolvidas. É para lá da racionalidade imediata e preguiçosa que temos que chegar! Precisamos urgentemente outras visões de mundo! Um pensamento original para a América Latina! Com todos os Povos que estão aqui! E para ontem! Mas onde estão os pensadores latino-americanos?

- Sossegados ou nas suas academias, ou nos seus livros, ou nas suas ‘lives’, ou nas suas zonas de conforto em toda a sua extensão filosófica a criticarem o nosso estado de coisa, sem jamais darem uma esperança à América Latina de, em cima do que já temos, criar e seguir a NOSSA Originalidade e FAZER FRENTE ao Império com todas as suas ramificações malditas!

- É... Mas é o papo furado morto à nascença... Só nos restam as gerações que vêm ai...

- E ainda assim, ver para crer...

 

22
Ago20

...

[274].

- Onde há dois sujeitos a falarem, com certeza há muita gente na conversa.

- Ouve lá, e se não for bem assim e....

- Então, um dos sujeitos não é ninguém... Somente um fanático zangado com o mundo!

16
Ago20

...

[272].

- Faz de conta, então.

- Mas conta, qual? ... Somar, subtrair, multiplicar ou div...

- Não, refiro-me a transformada integral.

- A partir de uma função, fazer de conta com outra?

- Sim... Por exemplo na Transformada de Laplace.

16
Ago20

...

[271].

S. V. Dáte (Huffington Post): - “Senhor presidente, depois de três anos e meio, arrepende-se sequer de todas as mentiras que disse ao povo americano?”

 

Trumpas de Melenas à Cuspe Javardo: - (Visivelmente perturbado, não respondeu e virou a cara) "Outra pergunta, por favor?"

13
Ago20

...

[270].

- Estou tão cansado... Temos sopa ainda?

- Sim, amor. Eu faço uma omelete. É rápido e...

- Não. Chega a sopa.... Aquece, se faz favor.

- Já está quente, vou pôr na malga.

- Certo... Há dias que não são bem dias, mas mais assim repartidos numa manhã embrionária, numa tarde onírica e numa noite de carme... Mas hoje não sei como terminar.

- Aqui tens.

-Obrigado.

- É da que gostas. Tem muita verdura... Tem cuidado, está bem quente! ... Concordo, sim, há dias em que tenho para mim que o melhor dos mundos é a pessoa embriagar-se de indignação, mesmo que se exagere... Olha, sabes...Depois da sopa, vais terminar esse poema, tenho a certeza! Termina que eu vou para a cama. Dá-me um beijo.

13
Ago20

...

[269].

- Que dizes, homem?

 

- Que a sezão escapa por entre interstícios do espaço, anelando as mazelas contínuas e empestando as intercalares do ponto limite alarmante que nos rodeia, que nos emula, que nos contradizem...

09
Ago20

...

[268].

                                                 Onze histórias interrompidas pelo “e”

1.

Mal o miúdo o enchera a plenos, rítmicos e felizes pulmões, rapidamente dera um nó na ponta e dera continuidade à brincadeira. Então, eu aproximara-me da pelota cheia de ar com a criança irrequieta de braços no ar a complicar. Finalmente, conseguira segurar com uma mão ao alto e a outra prendendo entre dois dedos um alfinete e resolutamente espetara-o com ganas no balão e....

2.

O meu melhor empregado de lá da fábrica de moldes de plástico era tão bom a detectar e tirar proeminências inestéticas com o canivete que parecia que nunca falhava. Um dia consegui provar – só por uma vez e neste dia – o quanto ele era humano como nós embora fosse o melhor, como referi, e que podia, afinal de contas, falhar como todo mundo e deixar passar uma caneca com rebarbas, ao eu pegar por sorte, numa caneca da sua triagem e lhe devolver e dizer, “deixas-te passar esta caneca com as rebarbas, portanto pega no canivete e”...

3.

A nulidade de um fanático ser-em-si é posicionar um colete de explosivos ao peito, ir a uma horda de inocentes, apertar o botão e ...

4.

Desceu as escadas, abriu a porta do prédio e....

5.

Sim! Apostara os rebuçados todos no ‘rapa, põe, tira e deixa’. Acabara de rodar o piãozinho e saíra-me mais uma vez o “põe”. E pusera o último rebuçado no montão no centro da mesa desconjuntada que improvisáramos no pátio da escola. O meu adversário, um sortudo nato, tal como o pai (um engenheiro agrónomo bem-sucedido lá na aldeia), estava prestes a rebanhar os rebuçados todos. Pegou no “rapa”, rodou-o durante uns três ou quatro segundos. Dos mais longos da minha existência na escola primária! Ainda estou a ver o “rapa” a decidir o meu orgulho, a minha vida.... O “rapa” a diminuir a velocidade, com movimentos vacilantes até parar e....

6.

Ela escrevera: “Devemo-nos persuadir que a reprodução da realidade nunca explicará coisa alguma da Realidade, porque somos o que somos e....”

7.

- É assim: quando recebes um estalo e sentes a porra da dor... Com licença, agora fica quieto... Um banano assente assim, ó, e....

8.

Tudo o que o meu patrão dizia, dizia com a convicção de quem sabe estagnar com pinta de boa-vai-ela (à velha maneira secular de criar a ilusão que não somos escravos dele), portanto, dizia numa bonomia em que rasgava aquele sorriso bonacheirão, sabendo de retaguarda a chuva perpétua de lucros desmedidos, vendendo uma ‘verdade comerciável’:

- Vocês são os meus anjos! Adoro-vos!

Ontem – um dia fodido e já vão saber porque- ainda o laboral ia a meia-vida quase na hora do comes-e-bebes-da-marmita, vendo-me a render baixo na série, parou indignado e fizera-me aquele sinal reprovador! Desliguei a máquina, cabisbaixo, e segui a direção do seu dedo em riste, vendo a porta escancaradamente brilhante do céu aberto que brilhava lá fora. Ainda olhei para trás e me dera conta que o patrão sumira, e incomodado com os olhares dos meus ex-colegas, estáticos, virei-me para a saída e....

9.

Parei para pensar. Aquela lépida mordidela no lábio despertara em mim o desejo de um beijo adiado! Só um beijo dela! Pois sabia por instinto cá meu, que já demonstrava subtilmente um cansaço, e aqui e ali uma recaída nos meus braços. Era esse o meu plano. Que cedesse aos meus encantos... E sabia também, que para além do esgotamento da minha presença – esse amarelão do nosso amor – lá no fundo mesmo, nas entranhas profundas, amava-me. Sei que me amava! Não quero crer, nem imaginar que não me amava! Nem queiram saber do que sou capaz, saber-me rejeitado pelo meu amor! Por isso, por mais que tente, não entendo porque não me ama como eu amo, de verdade! Mas seja como for, eu empurrei aquele corpo amado emburrado de filosofias ancestrais, enquanto lambia o sangue do meu lábio inferior. Empurrei com iracúndia a preceito de uma branca que passara à frente dos meus olhos, de tal que não lembro bem...Mas fiz por amor, verdadeiro amor! Por dedicação inata das nossas feridas e dos nossos desejos tão tórridos e corrosivos... Enfim, despertara em mim o desejo de um beijo, só isso. Não tenho direito a um beijo? Um beijo de quem amo? ... Depois, ao passar a branca, ali estava o corpo cambaleando ainda e depois... Depois.... Depois fugiu e....

10.

Ele não queria acreditar (soube mais tarde). Então, num impulso, levantou-se, chegou-se perto e beliscou-me freneticamente! Então, reagi como pude: Virei-me involuntariamente, dei-lhe uma lambada com a palma da mão aberta ao mesmo tempo que veio ao de cima a dor lancinante e....

11.

Eu vogava feito tonto no imenso caldo do caos que, ainda que aparente, aqui e ali uma ordem bem empacotada onde os átomos por um milagre de infinitíssima improbabilidade se juntaram e deram alguma acalmia no Firmamento. E aconteceu aqui e ali ordem e empacotamento de formas.... Assim, fragmentos de ordem eu vi, espantado de tanto prodígio na natureza... Um momento, que nem sei precisar qual, de tantos que passaram por mim e de tantos ainda por vir, algures no tempo bem esticado – amigos falo sério! – que num destes momentos, então, sem precisar qual mesmo o momento, aconteceu que uma destas milhentas velhas estrelas, coitada, já sem combustão, finara... e se contraíra até ao colapso! E tivera eu o azar (afinal, se um azar pode acontecer, vai acontecer, não é o que vocês dizem?). Foi o que aconteceu!  Estava eu por perto quando se dera o colapso da velha e gigante estrela e me sugara violentamente. E de repente me vira irreversivelmente embrulhado no caldo frenético sem escapatória possível num tempo infinito! E é esta a última mensagem que vos mando, até .... ultrapassar... a .... fronteira da   s i n g u l a r i da de e em  que.... tu do fi ca rá ...  l  e  n  t  o    eee...        

08
Ago20

...

[267].

 

Depois do encontro preciso de desencontro encontrado perguntou-me, “e aí?” Respondi, “desencontrei o encontro, finalmente.” E ele, “o importante é que estamos aqui, não é?” “Pois é”, reagi, “não nos sabermos perdidos é o essencial”. “É assim que gosto de ouvir”, prosseguiu aproximando-se. “Dá um abraço” – adiantei – “antes que seja tarde demais”.

05
Ago20

...

[266].

 

Meu zap: O que sobra de um dia / senão / o resto de um dia?

 

Zap do amigo de Jequié: O que sobra de um Marreco de Maringá / senão / o resto de um Marreco Maringá?

04
Ago20

...

[265].

Zap do Professor: ... e é isso: O mais à esquerda que temos, para fazer frente ao terraplanismo na esfera pública é esse fedelho do Filipe Neto! Que nunca foi de esquerda! E criticou o PT quando estava no Poder! Mas que está a fazer, hoje em dia, o papel que deveria ser interpretado pela esquerda, e o PT na dianteira! É uma vergonha!

Meu zap: Entretanto, o que a Esquerda faz, o PT em particular? Junta-se ao Maduro, esse crápula DITADOR!!!... Estão numa de esquerdinha-de-merda-caviar no Foro de São Paulo!!! E o País que se foda! ... Preferem dialogar com um DITADOR, num ambiente de festança! E o PROBLEMA do País que se foda!

Zap do Professor: Luís, o nome do fedelho é Felipe Neto... com ‘e’. Emenda lá no teu blogue.

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